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Aqui vai o conteúdo!
Lady Gaga
Sem eira nem beira!
A vida é a sobreposição das fases.
E o ano acaba amanhã.
Sem título
E sem conteúdo.
Ele estava vendendo um corpo sem alma, desconcertado. Acho que vou vender o meu também.
One Art – Elizabeth Bishop
The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.
-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Depois da chuva
Depois da chuva – Marcelo Bonfá
Eu quero olhar ao meu redor
E ver além do que meus olhos podem ver
Além do céu além do mar
E ter certeza de que vou te encontrar
Olha pra mim
Nosso rumo certo fica em outra direção
Há tempos eu sei que eu não sei viver sem teu carinho
Não me deixe esquecer de todas nossas vidas sempre juntos
E o futuro é aprender a ler aquilo que não está escrito
São pequenos sinais nas nuvens nas estrelas
Quanta coisa amor vimos se perder
E quantas coisas encontramos pra alegrar o coração
Nessas horas eu chego acreditar
Que certas vezes o melhor é se entregar à ilusão
Mais um pouco e a dor vai embora
Vamos brincar a noite inteira e rir de tudo outra vez
Fecha os olhos, me dê a mão
Que a chuva logo passa e o Sol volta a brilhar
Eu quero olhar
Ao meu redor
E ver alé do que meus olhos podem ver
Além do céu além do mar
E ter certeza de que vou te encontrar
Bom dia, flor do dia…
“Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz
com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar,
não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama(ou acha
que ama) e que não quer nada com você, definitivamente,
não é o homem ou a mulher da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você,
e principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atras das borboletas…
É cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava
procurando, mas quem estava procurando por você!”
Mário Quintana
“Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva,
para que possamos compreender
o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da
aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos
ensinar sobre a responsabilidade
do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.
Outras vezes usa doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar sobre água.
Às vezes, usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida”.
Fernando Pessoa
Dito
Respondi o que eu mudaria, coisas fúteis, bobagens. O que você queria ouvir eu não disse, não por não ser verdade, talvez apenas por não ter pensado para falar. O que eu certamente mudaria é a distância que existe entre nós, mas não a distância física, essa não me preocupa… distância que me preocupa é a que me fez não ter dito isso.
Os momentos!
Catando cacos…
“A noite, que de tão escura, talvez também de tão interminável, ao mais singelo brilho de uma estrela distante, faça sentir o calor de um dia de verão. É necessário arriscar.”
“O momento de inquietação eletrifica as veias de ansiedade. Numa mistura confusa de sentimentos, carência e decepção tomam-se um pelo outro. Parece que o coração vai sair do peito…onde será que os fracos se escondem?”
“…uma coisa complicada de explicar – que abala, constrange, alegra, fortalece, mata. E que talvez nem seja explicável, muito menos compreensivel, mas conforta. E que as vezes ocorre de maneira tão diferente, de longe absurda, de perto nem tanto, instantaneamente, de forma que pode nem parecer legítimo, não pela intensidade, que no princípio inspira tudo isso [essa divagação], mas pelo medo do momentâneo.”
Segue, segue!
Tira essa tristeza do olhar,
Já não vale a pena chorar!
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz do poste não acendeu?
Quando a sorte não mais pôde ganhar?
Não
De longe me disse um não
Mas quem vai dizer tchau?
Onde aconteceu?
Não sei
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar
Mas, não
Não foi ontém que eu disse não
Mas quem vai dizer tchau?
A gente não percebe o amor
que se perde aos poucos sem virar carinho
guardar lá dentro o amor não impede
que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
para que ele possa ser de alguém
Somos, se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais
Ouve o que houve
E o que escondem em vão
Os pensamentos que preferem calar
Se não
Irá nos ferir o não,
Mas que não quer dizer tchau.
pra onde vai uma amizade!
corrigenda
As coisas não acontecem na ordem errada, as coisas erradas ACONTECEM, a ordem não importa.
Consequências!
As coisas sempre acontecem em uma ordem diferente da que deveriam ocorrer.
Como serão as coisas daqui pra frente?
“Olhe em volta, veja quanta areia. E tudo isso é só o que sobrou. É o que sobrou de momentos de alegria, união, entendimento. E só sobrou areia…”
Domingo de Carnaval
“O esquecimento é maior que a morte,
porque termina o que a morte começou.”
Valter da Rosa Borges
.
.
.
Cada situação que criamos nos aproxima ou nos afasta alguns centímetros. O limite que uma relação, seja ela qual for suporta é de menos de um metro, então não nos conheceremos mais. Aí teremos duas opções: ou começamos do zero, ou será o que Valter da Rosa Borges comenta: o esquecimento. O que vai ser?
!
Não me dói o que perdi,
pois tive o prazer de ter.
Dói-me tudo o que não tive
e o quanto não pude ser.
Valter da Rosa Borges
O esquecimento é maior que a morte,
porque termina o que a morte começou.
Valter da Rosa Borges
Acceptance – Things You Say
It’s so hard, believe in things,
that you can’t see yourself,see yourself.
Behind the seen, lies more then
you can understand yourself, stand yourself.
They tell you what you want to hear,
but when they’re done, will you still live in fear?
Everything you said to me put me on my knees.
Everything you said to me put me on my knees.
I can’t believe a thing you say
I can’t believe a thing you say.
You’re told that selfishness will guide your path.
What will you do when that just dosen’t last?
Its so hard to believe in you
I’m not quite clear what I should do
And now I know that you’re the only one,
but do they know that you’re the only one.
The Used – All That I’ve Got
So deep that it didn’t even bleed and catch me,
Off guard
Red handed; now I’m far from lonely
Asleep I still see you lying next to me
So deep that it didn’t even bleed and catch me.
I need something else
would someone please just give me?
Hit me and knock me out
And let me go back to sleep
I can laugh all I want inside
I still am empty
So deep that it didn’t even bleed and catch me.
I’ll be just fine pretending I’m not
I’m far from lonely
And it’s all that I’ve got
I’ll be just fine pretending I’m not
I’m far from lonely
And it’s all that I’ve got
(All that I’ve got)
I guess I remember every clench you shot me
Unharmed, I’m losing weight and some body heat
I squoze so hard
I stopped your heart from beating
So deep that I didn’t even scream Fuck me.
I’ll be just fine pretending I’m not
I’m far from lonely
And it’s all that I’ve got
I’ll be just fine pretending I’m not
I’m far from lonely
And it’s all that I’ve got
(All that I’ve got)
And it’s all that I’ve got
It’s all that I’ve got
It’s all that I’ve got
It’s all that I’ve got
It’s all that I’ve got.
So deep that it didn’t even bleed and catch me
So deep that I didn’t even scream Fuck me.
I’ll be just fine pretending I’m not
I’m far from lonely
And it’s all that I’ve got
I’ll be just fine pretending I’m not
I’m far from lonely
And it’s all that I’ve got.
Simples.
classe média
Sou classe média.
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanalSou classe média,
compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos” e
vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos,
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um
Pacote CVC tri-anual
Mas eu “tô nem aí”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “tô nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com o Estado
Quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado
Que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelô, biju com bala
E as peripécias do artista
Malabarista do farol
Mas se o assalto é em “Moema”
O assassinato é no “Jardins”
E a filha do executivo
É estuprada até o fim
Aí a mídia manifesta
A sua opinião regressa
De implantar pena de morte
Ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado
Concordo e faço passeata
Enquanto aumento a audiência
E a tiragem do jornal
Porque eu não “tô nem aí”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “tô nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa
Quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida
http://videos.uol.com.br/video/confissaes-insanas-motoboy-040268D8C93326
O motoboy Jackson Five é um dos personagens do espetáculo “Terça Insana” interpretado pelo ator Marco Luque. Veja o exclusivo episódio de “Confissões Insanas” com o cachorro louco das ruas.
http://videos.uol.com.br/video/classe-madia-040262E0915326
Classe média
A agenda de Dirceu
Diogo Mainardi
A agenda de Dirceu
“Recebi uma agenda de telefones de José Dirceu. Era usada por secretárias suas na Casa Civil. O
bom é que, além dos números de telefone, foram anotados alguns recados de seus interlocutores”
Recebi uma agenda de telefones de José Dirceu. Passei os últimos dias bisbilhotando-a, checando nomes, analisando datas, conferindo números. Sou um rapaz sortudo. A agenda surgiu num momento oportuno. Nesta semana, o STF tem de decidir se aceita a denúncia contra os mensaleiros. O procurador-geral da República declarou que pretende reunir mais provas contra os acusados. A agenda de Dirceu, que entregarei a ele, pode ajudá-lo a cruzar alguns dados.
A agenda está incompleta. Lista nomes de A a J. Era usada pelas secretárias de Dirceu na Casa Civil. O bom é que, além dos números de telefone, foram anotados alguns recados de seus interlocutores. Os recados se referem à primeira metade de 2003. Naquele período, o esquema de pagamento ilegal aos deputados ainda era muito incipiente. O principal empenho de Dirceu e seus homens era aparelhar a máquina estatal com parentes e amigos, como sua mulher, Maria Rita Garcia. Em 7/3/2003, o tucano Arnaldo Madeira telefonou para avisar que já atendera ao pedido de Dirceu, transferindo Maria Rita de um cargo concursado no governo paulista para um comissionado em Brasília, com relativo aumento salarial.
Na agenda de Dirceu, há 35 recados de seu amigo do peito, o advogado Kakay (tel: XXX9292, XXXX5050). Há alguns muito claros: “Precisa falar pessoalmente antes do compromisso”. Há outros mais enigmáticos: “Assunto: Marconi – OK”. Em certos casos, Kakay aparece cuidando dos encontros de trabalho de Dirceu: “Avisa que a reunião ficou marcada para 22:15″. Em outros, ele parece se intrometer em matérias do governo, como num recado de 31/3/2003: “Lembrar: circuito IRB e ligação p/ Dep. Eunício Oliveira”. Sabe-se que o IRB foi uma das fontes de financiamento dos mensaleiros. Sabe-se também que uma assessora de Eunício Oliveira foi acusada de sacar dinheiro da conta de Marcos Valério, no Banco Rural.
A agenda tem 27 recados de Bob Marques (XXXX3241, XXXX2228). Dirceu já o chamou de “assessor informal”. Depois o definiu apenas como “amigo”. Isso aconteceu quando o questionaram acerca de um saque no valerioduto em nome de Roberto Marques. Aparentemente, um dos papéis do amigo era intermediar o relacionamento de Dirceu com sua ex-mulher, Ângela Saragoça. Em 29/4/2003, Bob Marques passou o seguinte recado ao chefe: “Avisa que hoje deu tudo certo c/ a Ângela”. Naquele mesmo dia, Dirceu ligou para ela. Bob Marques voltou ao assunto em 19/5/2003. Muita gente já deve ter esquecido, mas Marcos Valério ajudou a ex-mulher de Dirceu a arrumar um emprego no BMG e um empréstimo no Banco Rural.
Outro recado de Bob Marques que merece destaque é de 15/4/2003. Diz: “Sobre viagem do Gaspar a Cuba – assunto Cervantes”. Só pode se tratar de Sérgio Cervantes (XXXX1629), o cubano que, segundo assessores de Antonio Palocci, entregou ao PT uma mala cheia de dólares. Nunca se soube quem teria doado o dinheiro. Uma pista é o tal Gaspar, cuja viagem a Cuba foi programada por Dirceu e Bob Marques. O único Gaspar que consta da agenda é Luiz Gaspar (XXXX1906, XXXX2019), um companheiro de Dirceu dos tempos da luta armada. Durante o regime militar, ele se refugiou em Cuba e montou uma empreiteira. Em 2001, foi apresentado ao empresário Mario Garnero e se associou a ele num projeto para construir hotéis em Cuba, com uma promessa de empréstimo do BNDES. Os dólares poderiam ter sido doados por um empresário com interesses na terra de Fidel Castro?
É o que o pistoleiro Diogo tinha a dizer.
Dirceu:
A resposta de Dirceu (na íntegra, publicado em seu blog)
O Estado Policial de Diogo Mainardi
Deus é grande, poderoso e, às vezes, generoso, diz o ditado popular. Na mesma revista Veja que traz a matéria “A Sombra do Estado Policial”, que comentamos aqui, sobre o escandaloso abuso de grampos telefônicos legais e ilegais que está havendo no Brasil, o articulista Diogo Mainardi age na sombra do Estado Policial. O articulista da Veja teve acesso ilegal a uma suposta agenda minha quando era ministro da Casa Civil. Ou, o que é ainda pior, teve acesso a gravações de telefonemas meus. E ele expõe o que encontrou em sua coluna semanal na revista, intitulada “A Agenda de Dirceu” (só para assinantes) confirmando a matéria da própria Veja.Com um agravante: a partir dos telefonemas – todos já de conhecimento das CPIs, uma vez que minhas informações telefônicas, bancárias e fiscais foram abertas para aquelas comissões, por minha livre e espontânea vontade – ele monta, fazendo, mal, o papel de polícia, Ministério Público e Justiça, uma série de acusações falsas contra mim, com base em conclusões absolutamente falsas e capciosas.O que ele divulga não diz nada contra mim. Ele tira conclusões com base no que quer concluir. Não encontrou nada no acesso ilegal que teve a dados que foram enviados à CPI. Os dados sigilosos são transferidos aos parlamentares, mas continuam sigilosos, e é ilegal divulgá-los.Mas não posso deixar de registrar a infâmia e ignomínia que só reforça a necessidade de uma lei que defenda as pessoas dos ataques de jornalistas que ofendem, caluniam e difamam sem apresentar provas do que dizem. E que puna os que publicam informações sigilosas, o que é ilegal e criminoso.No caso específico de Maria Rita Garcia Andrade, o que houve foi uma transferência legal a que ela tinha direito como todo funcionário público cujo cônjuge mude de domicílio. Todos podem requerer a transferência. Fui eleito deputado e depois nomeado ministro e me mudei para Brasília. Funcionária pública concursada, ela solicitou oficialmente que fosse cedida a um órgão do Governo Federal em Brasília. Nada de ilegal. Nem de minha parte, nem da do secretário Arnaldo Madeira, do Governo de São Paulo.As deduções de Diogo Mainardi não provam nada e não dizem nada. Refletem apenas sua ânsia de se vingar de mim e sua mágoa e ressentimento. E, claro, seu mau jornalismo.
José Dirceu
site
http://www.releituras.com/releituras.asp
http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/
http://www.youtube.com/watch?v=7KfY7RPaffw Diogo Mainardi na PUC – RS – bocudo!
George Bernard Shaw
George Bernard Shaw (1856-1950), polemista e dramaturgo, nasceu em Dublin e iniciou sua carreira como crítico de artes. Exercitou a ficção e o ensaio, mostrando o poder de fogo da ironia cortante e a visão do mundo peculiar em que vivia. Consagrou-se no teatro, deixando clássicos como “A profissão da sra. Warren” (1902) e “Pigmalião” (1913), esta última, sua peça mais popular, e que, em 1964, deu origem ao filme “My fair Lady”. O autor foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1925.
Obras do autor acessíveis em tradução brasileira:
Dramas:
A conversão do pirata
Cândida
Casa de Orates
César e Cleópatra
Homem e super-homem
Major Bárbara
O dilema do médico
O homem e as armas
O homem e o destino
Pigmalião
Santa Joana
Volta a Matusalém
Ensaios:
Quem sou o que penso
Novelas:
Aventuras de uma negrinha que procurava Deus
Hipocondríaco – Frei Betto
Em tempo de remédios falsificados e laboratórios incompetentes, vale lembrar deste consumidor compulsivo que faz da bula Bíblia: o hipocondríaco. Ele padece do mal de ter mania de doenças e adora tomar remédios. Ao passar à porta da farmácia não resiste e pergunta: “O que tem de novidade?”
Nada mais ofensivo ao hipocondríaco do que erguer um brinde e desejar-lhe “saúde!”. Ele só freqüenta coquetel de vitaminas. Encara sempre o interlocutor com aquele olhar de quem diz: “ando sentindo coisas que você nem imagina”. No telefone, faz voz de vítima. Cara a cara, suplica, silente, a compaixão alheia.
Está sempre entrando ou saindo de uma gripe; já tomou todas as vacinas; sofre da coluna; padece de insônia; e trata médico como faz com motorista de táxi: “Tá livre?”
O hipocondríaco entra na Justiça exigindo mandado de prisão contra os radicais livres e duvida que alguém possa imaginar o tamanho da enxaqueca que teve ontem. Enquanto outros fazem shopping, o prazer do hipocondríaco é visitar drogarias de vitaminas importadas. Ingere pela manhã o abecedário em drágeas e nunca se deita sem antes tomar um chá de ervas.
Hipocondríaco não tem plano de saúde; prefere cota de cemitério. Gosta de se separar da família para morrer de saudades. E fica doente de raiva quando alguém diz que ele aparenta boa saúde.
O autêntico hipocondríaco carrega sempre uma dorzinha de lado, uma unha encravada, uma afta na boca, uma irritação na garganta, uma dor na coluna e umas tonturas estranhas.
Para o hipocondríaco, esposa ideal é a que banca a enfermeira; cadeira confortável é a de rodas; e cama macia, a de hospital.
O hipocondríaco é a única pessoa que, pelo som, distingue sirene de ambulância da de viatura de polícia e de bombeiro.
O guru do hipocondríaco é Hipócrates, e sua filosofia se resume nesta questão metafísica: “Se a gente nasce deitado e morre deitado, por que não viver deitado?”
O hipocondríaco morre de medo da vida saudável. Está convencido de que a diferença entre o médico e ele é que o primeiro conhece a teoria e, o segundo, a prática. Nunca pergunte a ele: “Vai bem?” É preferível: “Melhorou?”
O hipocondríaco só assina revistas médicas e, nos jornais, lê primeiro o obituário. Mas, ao contrário do que se pensa, o hipocondríaco não quer morrer — isto o curaria de sua loucura.
Nunca convide um hipocondríaco a matricular-se numa academia de ginástica. Ofereça-lhe um check-up. Os únicos exames que ele aceita fazer são os clínicos e adora ser reprovado. Se faz cooper, a perna dói; se pratica natação, fica resfriado; se flexiona o abdome, sente dor nas cadeiras.
O hipocondríaco escuta o médico com a mesma atenção que o bêbado ouve os conselhos do abstêmio. A turma do hipocondríaco se reúne em porta de farmácia e tira férias em clínicas de repouso.
O hipocondríaco é o único paciente que consegue decifrar letra de médico. Ele não se recolhe para dormir, e sim para repousar. Nunca deseje “bom-dia” a um hipocondríaco; pergunte: “Levantou melhor?” Aliás, ele não se levanta; tem alta. No aniversário, dê a ele um vidro de remédios. Todo hipocondríaco é viciado em aspirina, vitamina C e melatonina.
O hipocondríaco sabe dar nó nas tripas e acredita que o melhor lazer é curtir uma diverticulite. Considera incompetente todo médico que diz que ele não tem nada.
O hipocondríaco acredita em tudo que a mídia fala sobre cuidados com a saúde.
Quando viaja, não se hospeda; se interna. No bolso de dentro do paletó ele não carrega caneta, mas termômetro. E é a única pessoa capaz de enxergar vírus e bactérias em talheres de restaurantes.
Sonho de hipocondríaco é ser socorrido por um daqueles helicópteros UTI que aparecem na TV. E sempre reclama de que já existem telessexo, telepiada, telepizza, telessorteio, só falta o teledoença: você liga, descreve os sintomas e, do outro lado da linha, uma voz de médico prescreve a medicação.
Deve ter sido um hipocondríaco quem deu ao remédio que combate infecções o nome de antibiótico — que significa “contra a vida”.
O hipocondríaco não tem remédio. Ele só se cura quando morre e, paradoxalmente, a morte é o sintoma mais óbvio de que ele tinha razão. Pena que não possa levantar-se do caixão e enfiar o dedo na cara de quem o tratava pejorativamente como hipocondríaco. De qualquer modo, repare como ele, defunto, traz um sorrisinho de vitória nos lábios.
Frei Betto (Carlos Alberto Libânio Christo),(1945) quando jovem frade dominicano esteve envolvido com as lutas revolucionárias de seu tempo, com a política e a arte. Militante de esquerda, simpatizante da luta armada, se dividia entre os estudos de filosofia, o jornalismo e a assistência de direção de José Celso Martinez Corrêa na histórica montagem de “O rei da vela”, pelos idos de 1967. É escritor consagrado, com inúmeros livros de sucesso, dentre eles “Fidel e a Religião“, coletânea de entrevistas com o líder cubano. O texto acima foi publicado no jornal “O Globo”, em 08/98.
A menina marcava as páginas onde estavam impressas aquelas leis absurdas com a intenção de, mais tarde, arrancá-las. 0 pai explicou-lhe que era inútil, havia muitos outros livros com as mesmas leis. quisesse mudá-las, teria de convencer as pessoas que faziam leis.
Lida por esta ótica, a Bíblia revela a igualdade entre homens e mulheres e denuncia a leitura machista que pretende derivar dos desígnios de Deus instrumentos de dominação, como a interdição de acesso das mulheres ao sacerdócio e ao episcopado, e a preponderância masculina sob o pretexto de que Eva foi criada a partir da costela de Adão — quando a natureza não deixa dúvidas de que todo homem nasce do corpo de uma mulher.
0 evangelista Mateus aponta, na árvore genealógica de Jesus; cinco mulheres. Tamar, Raab, Rute e Maria; e de modo implícito, a mãe de Salomão, aquela “que foi mulher de Urias”. Não é bem uma ascendência da qual um de nós haveria de se orgulhar.
Em sua atividade pública, Jesus se fez acompanhar pelos Doze e por algumas mulheres: Maria Madalena; Joana, mulher de Cuza, o procurador de Herodes; Susana e várias outras. Portanto, o grupo de discípulos de Jesus não era propriamente machista. Além disso, Jesus freqüentava, em Betânia, a casa de suas amigas Marta e Maria, irmãs de Lázaro.
O primeiro milagre de Jesus foi para atender ao pedido de uma mulher, Maria, sua mãe, preocupada com a falta de vinho numa festa de casamento em Canã.
Escolhido por Jesus para ser o primeiro Papa, Pedro era casado.
Em nosso país, destacam-se Ana Flora Anderson, Teresa Cavalcanti, Wanda Deifelt e Athalya Brenner. O Centro de Estudos Bíblicos (Cebi) há anos forma, pelo Brasil afora, homens e mulheres dos setores populares em novos métodos de interpretação bíblica, pondo fim ao monopólio clerical e machista.
Descobrir que a mulher ocupa na Bíblia lugar e importância iguais aos do homem é questionar as igrejas que, às vésperas do terceiro milênio, insistem em reservar aos homens as funções de poder. E, por tabela, subverter os valores desta sociedade que considera a direção política um talento masculino e a questão social um derivativo da primeira dama, e ilustra sua publicidade televisiva e as páginas das revistas com mulheres que se prestam a ser reificadas, reduzidas ao mero apelo de consumo material e simbólico e, no entanto, queixam-se quando tratadas pelos homens como objetos descartáveis.
Frei Betto (Carlos Alberto Libânio Christo),(1945) quando jovem frade dominicano esteve envolvido com as lutas revolucionárias de seu tempo, com a política e a arte. Militante de esquerda, simpatizante da luta armada, se dividia entre os estudos de filosofia, o jornalismo e a assistência de direção de José Celso Martinez Corrêa na histórica montagem de O rei da vela, pelos idos de 1967. É escritor consagrado, com inúmeros livros de sucesso, dentre eles “Fidel e a Religião“, coletânea de entrevistas com o líder cubano. O texto acima foi publicado no jornal “O Globo”, de 28/07/2000.
bom!
“Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem”
Robert Musil em O Homem sem Qualidades
Excelente!
COMBATES E UTOPIAS – OS INTELECTUAIS NUM MUNDO EM CRISE
- MORAES, DENIS DE
- EDITORA RECORD
- Ano da edição: 2004
- Número edição: 1
- Páginas: 378
- A venda na FNAC por 30,80 R$
- http://www.fnac.com.br/product.aspx?idProduct=8501069191&partner=buscape_produto&res=1280
]RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo
Uma entrevista do biólogo James Watson, 79, com declarações racistas anteontem a um jornal britânico atraiu uma enxurrada de críticas de cientistas, sociólogos, políticos e ativistas de direitos humanos.
Watson, ganhador do Prêmio Nobel por ter descoberto a estrutura do DNA juntamente com Francis Crick, em 1953, afirmou ao jornal britânico “The Sunday Times” que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e, em razão disso, se declarou pessimista em relação ao futuro da África.
Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não”, afirmou o cientista. “Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade.”
A declaração verbal foi apenas um jeito um pouco menos delicado de expor o que ele já havia escrito em seu recém-lançado livro “Avoid Boring People” (Evite Pessoas Chatas): “Não há razão firme para crer que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas evoluam de maneira idêntica. Nosso desejo de considerar poderes iguais de raciocínio como uma herança universal da humanidade não vai se prestar a isso.”
Pessoas que apontaram erros na declaração de Watson afirmam que a reação ao cientista precisa ser contundente. O cientista chegou ontem a Londres para divulgar seu livro, e já foi recebido com críticas -teve uma palestra cancelada no Museu de Ciência de Londres.
“Isso é Watson no nível mais escandaloso”, disse Steven Rose, fundador da Sociedade para Responsabilidade Social em Ciência do Reino Unido. “Ele já havia dito coisa parecida sobre mulheres, mas eu nunca o ouvira entrar no terreno do racismo. Se ele conhecesse literatura sobre o assunto, saberia que está totalmente enganado cientificamente, além de socialmente e politicamente.”
Dono de opiniões polêmicas, Watson ganhou o apelido de “Honest Jim”. Em seu livro “Genes, Girls and Gamow”, Watson se declarou favorável a um tratamento genético para deixar mulheres feias mais bonitas. Em outra ocasião, defendeu o direito ao aborto, se as grávidas pudessem saber se a criança nasceria homossexual.
Entre os cientistas que reagiram de maneira mais dura contra Watson estão os próprios geneticistas.
“Definitivamente, isso não faz sentido nenhum e é totalmente estapafúrdio”, disse à Folha Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais. “É uma falácia de autoridade. Ele não é especialista no estudo de evolução de populações humanas. Ele estuda biologia molecular pura.”
Pena, cujo trabalho sobre populações brasileiras contribuiu em grande medida para derrubar o conceito biológico de raças humanas, afirma que a maioria das pessoas “não vai levar Watson a sério”, mas que ele pode “inflamar os ânimos” daqueles que já são racistas.
Sobre a situação da África, Pena diz que nem sequer é uma questão de inteligência. “O Watson confunde uma situação histórica e social da África com uma situação biológica”, disse. “O que acontece é que os africanos foram vítimas de uma colonização brutal por parte dos europeus.”
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u337682.shtml
O “crime” de Luciano Huck
Luciano Huck, pelo que consta, não cometeu nenhum crime. Por que, então, tamanha revolta e tamanho ódio contra o artigo de Huck e tão pouca revolta contra o criminoso?
Autor: Helio Gurovitz - Participa desde: 12/10/2007
Não conheço Luciano Huck. Não costumo ver seus programas na TV. Sei que ele é um apresentador de sucesso. Sei que é rico. Sei que é casado com uma linda mulher, chamada Angélica. Sei também que, no início do mês, ele foi assaltado em São Paulo e levaram-lhe um relógio da marca Rolex. Movido por sua experiência pessoal, Huck escreveu um artigo cheio de revolta para protestar contra a violência urbana. É verdade que o valor e o teor de seu artigo são discutíveis. É verdade que Huck pode ser considerado um “mauricinho mimado”, um “alienado em sua gaiola de ouro”, que demorou a perceber o alcance do problema na sociedade brasileira. Tudo isso pode ser verdade. Mas tudo isso também é direito dele. Luciano Huck tem direito a ser mimado, tem direito a ser “mauricinho”, tem direito a ser alienado e tem direito a escrever o que quiser e a publicar onde bem entender. Luciano Huck também tem direito a ser rico e a fazer sucesso. Luciano Huck, pelo que consta, não cometeu nenhum crime. Foi o assaltante que levou seu relógio quem cometeu. Por que, então, tamanha revolta e tamanho ódio contra o artigo de Huck – em blogs, cartas de leitores e manifestações populares – e tão pouca revolta contra o criminoso?Eis um mistério da alma brasileira.A alma que vê um criminoso no rico que faz sucesso e um coitado, ou até uma vítima, no pobre que cometeu um assalto. A alma que condena um filme como Tropa de Elite – um retrato da guerra entre polícia e tráfico no Rio de Janeiro – apenas porque ele não transforma os policiais em vilões, mas trata-os como gente cruel, mas de carne e osso. A alma que é incapaz de enxergar uma contradição flagrante na juventude que consome as drogas que financiam a violência e, ao mesmo tempo, vai às ruas protestar pela paz. Se quisermos ter esperança de, algum dia, viver numa sociedade menos violenta, essa alma precisa mudar. Que o Brasil não perca a oportunidade oferecida por Tropa de Elite e pelo caso de Luciano Huck. É o momento de deixar claro o que é crime e o que não é, quem é culpado e quem, como Huck, é inocente.http://www.jornaldedebates.ig.com.br/index.aspx?cnt_id=15&art_id=11226
Pensamentos quase póstumos
LUCIANO HUCK
LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.
Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.
Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.
Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.
Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável.
Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.
Onde está a polícia? Onde está a “Elite da Tropa”? Quem sabe até a “Tropa de Elite”! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.
Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.
Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.
Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma sociedade moderna e justa.
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.
Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de “extraterrestres” fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?
Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no “Roda Vida” da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, “Tropa de Elite” é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.
Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: “Cansei”. O Lobão canta: “Peidei”.
Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.
Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.
Isso não está certo.
LUCIANO HUCK, 36, apresentador de TV, comanda o programa “Caldeirão do Huck”, na TV Globo. É diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.
Pensamentos de um “correria”
FERRÉZ
ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.
Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.
Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada.
O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga.
Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.
Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal.
Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.
Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.
Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?
Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.
Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não!
Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto.
Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora.
Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso.
Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.
A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!
Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa.
Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.
No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.
REGINALDO FERREIRA DA SILVA , 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de “Capão Pecado”, romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de “Ninguém é Inocente em São Paulo”, entre outras obras.
Canal!
http://ustream.tv/
É gratis!
Texto do Arnaldo Jabor.
Me revolto ao ver que pessoas esclarecidas tem a ousadia de apoiar a pessoa mais retardada desse país: Lula. Só uma pessoa que padece de problemas mentais para nunca ter ciência do que se passa ao seu redor…ou seja, vive aérea. E tem mais, voto sim no Alckmin, que seja ele ladrão.
Voto porque não recebo cesta básica, não tenho bolsa família, bolsa escola, auxílio gás, não participo do fome zero, pelo contrário, faço parte da classe que fica fornecendo dinheiro pra esse ser maldito que teve a infelicidade de nascer neste país, ficar bancando parte da população que está super satisfeita com os auxílios governamentais e se contenta ter grana no final de semana pra beber cerveja e ver os jogos do Flamengo.
Pobre de mim, alma atormentada que luta pra ter algo e é massacrada pela ignorância da massa brasileira. Pobre de mim que tenho que engolir o maldito barbudo, porque no Nordeste e Norte do país, não há desenvolvimento cultural e informações suficientes para esclarecer a real conjuntura vivida.
Pobre de mim que tenho vergonha de morar em um país que elege Paulo Maluf e os ladrões do mensalão e completam o circo com Clodovil ! É vergonhoso ser eleitor neste país.
A verdade está na cara, mas não se impõe!!!!!
Canal!
Canal de tv!






